Gestão de comunidade: como criar e engajar ecossistemas de impacto

6 min. de leitura 26.02.2025
Gestão de comunidade: como criar e engajar ecossistemas de impacto

A gestão de comunidades é um dos pilares fundamentais para fomentar ambientes de inovação e impacto social. No Impact Hub Floripa, entendemos que uma comunidade forte não se resume apenas a um espaço físico, mas envolve conexões autênticas e propósitos compartilhados.

Antes de mergulharmos nos segredos da gestão de comunidades, é importante entender o conceito de economia de impacto. Essa abordagem busca equilibrar a geração de lucro com soluções para desafios sociais e ambientais. Diferente da economia tradicional, cujo foco é o crescimento financeiro a qualquer custo, a economia de impacto visa o desenvolvimento sustentável e a responsabilidade corporativa.

Empresas como a Maneje Bem, que conecta pequenos agricultores a grandes empresas, e negócios que promovem inclusão produtiva em comunidades carentes, são exemplos de como esse modelo funciona na prática.

O Impact Hub Floripa faz parte da Companhia de Impacto, o primeiro grupo de negócios exclusivamente de impacto do Brasil. Contamos com cinco unidades em Florianópolis, em endereços estratégicos totalmente ligados à inovação ou à cultura local.

E são 10 anos de história. Ou seja, a história do ecossistema de inovação de Florianópolis se confunde com a nossa própria história. Mas é importante lembrar que, para além das paredes, da mesa e do café, nós somos um espaço colaborativo. Mais do que um coworking, somos um ecossistema de conexões e colaborações. E nosso propósito é claro: fortalecer empreendedores e suas jornadas.

E como nós entendemos a gestão de comunidade?

Os pilares da gestão de comunidade

Somos reconhecidos pela expertise em gerir comunidades e posso compartilhar aqui as cinco etapas fundamentais que levamos em consideração:

  1. Prelúdio – O primeiro contato com a comunidade.
  2. Chegada – A experiência inicial e a criação de laços.
  3. Acolhimento – O momento de conexão e pertencimento.
  4. Cultivo – O desenvolvimento e engajamento contínuo.
  5. Saída – A transição para novas fases da jornada.

Dentre essas etapas, duas se destacam na construção de uma comunidade forte: acolhimento e cultivo. O acolhimento garante uma primeira impressão positiva e uma integração eficiente, enquanto o cultivo promove interações e cria espaços de trocas significativas.

Outro ponto que faz a diferença e que aprendemos olhando para culturas de comunidades ancestrais são os ritos.

A importância dos rituais

Rituais são essenciais para manter a identidade de uma comunidade. Não é à toa que culturas inteiras conseguiram se manter e crescer por tanto tempo antes de existir livro, computador e internet. O ritual de uma comunidade é a bateria de uma música. É quem dita o ritmo e a empolgação, e é a forma mais eficaz que temos de fazer perpetuar a cultura.

No Impact Hub Floripa, valorizamos pequenos gestos que fortalecem o senso de pertencimento. Nos espaços de coworking, nosso time passa café para os membros, e é uma escolha intencional ter café passado nas unidades. Assim, quando acaba, alguém se prontifica a fazer de novo. É algo super simples, mas que chega como um ato de contribuição e entrega para a comunidade. E o nosso time sempre deixa bilhetinhos junto. Com esse ritual, aos poucos vamos percebendo que as pessoas passam a fazer isso também. É uma gentileza que vai se espalhando.

Temos desde esse ritual simples e lúdico até os mais complexos, que são os “cafés de quinta” – que cada unidade realiza à sua maneira e tem seu próprio nome, sendo um reforço da identidade construída em conjunto – ou os eventos de conteúdo rico que nós organizamos, em um movimento de coconstrução com os membros.

Isso vai criando um senso de pertencimento e fortalecendo a coesão do todo. E o espaço físico passa a funcionar como uma plataforma para a troca de ideias e experiência. Algo bem mais legal do que um escritório colaborativo.

Utilizamos diferentes ferramentas e eventos: meetups educativos, palestras estilo TED Talks e até momentos de descontração com o “Deu Ruim”, que é um evento em que empreendedores compartilham fracassos e aprendizados, promovendo uma cultura de transparência e apoio mútuo. É um espaço para o alívio cômico, digamos assim, e faz muito sucesso porque as pessoas descobrem que todo mundo erra e passa por dificuldades.

Aqui tem uma edição que transmitimos pelo YouTube. Foi um especial de Branding, que realizamos com quatro estúdios de design e marca aqui de Floripa.

Tá, mas e como a gente sabe que essas ações dão certo?

Mensuração de impacto: como saber que funciona?

Como você sabe que não está só gastando seu tempo sendo legal? A mensuração de impacto entra aqui. É como nós comprovamos o resultado de tudo o que fazemos.

No caso das nossas unidades de coworking, temos um dado excelente: você sabia que o tempo médio de “vida” de um cliente de um contrato é de 6 a 12 meses? Depois disso, a pessoa sai ou aluga um espaço próprio ou muda de ramo. Mas, no Impact Hub Floripa, o tempo médio de vida dos nossos clientes é de 25 meses. É mais que o dobro. E isso se deve à nossa comunidade.

Percebemos essa mesma lógica fora do coworking, nos programas de aceleração e educação empreendedora que executamos para grandes parceiros: a evasão de startups em nossos programas de aceleração é menor quando comparada aos programas de aceleração tradicional.

Nossas turmas de educação empreendedora, que realizamos em parceria com o Sebrae, também têm menor evasão do que turmas no modelo tradicional. E mais que isso, as pessoas seguem na comunidade depois. É bem lindo de acompanhar.

Para validar a eficiência da gestão de comunidade, utilizamos métricas de impacto. No Impact Hub Floripa, a taxa de permanência dos membros é de 25 meses, mais que o dobro da média de mercado. Além disso, nossos programas de aceleração apresentam menores taxas de evasão em comparação a programas tradicionais.

Expansão para ecossistemas de inovação

O modelo de gestão de comunidade também pode ser aplicado a ecossistemas inteiros. Projetos como o “Ecossistemas de Inovação”, desenvolvido em parceria com o Sebrae RS, e “Passos para uma Vida Melhor”, realizado em Campinas com apoio da Novo Nordisk e da Prefeitura, mostram como o engajamento estruturado pode gerar impactos positivos em larga escala.

Conclusão

Construir e gerir comunidades vai muito além de manter espaços compartilhados. Envolve conexões, rituais e mensuração de impacto. Quando bem estruturadas, comunidades não apenas prosperam, mas transformam realidades e impulsionam inovação de forma sustentável.

Quer saber mais sobre nossas experiências em comunidades engajadas? Fale com a gente e descubra como podemos apoiar a gestão da sua comunidade.

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